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Autor Tópico: Histórias Policiais  (Lida 1555 vezes)

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Lobozero  Offline

Histórias Policiais
« em: 27 de Setembro de 2011, 22:44 »
Os textos foram desenvolvidos por:
Gabriela Rodella
Flávio Nigro
João Campos

Digitalização:
lobozero



  Encontrar detalhes, exergando aquilo que as outras pessoas não veem, assim também é o trabalho do detetive.  É por meio da observação atenta e da dedução acurada que se dá o trabalho do investigador nas histórias policiais.
  Ao escrever, o autor de histórias policiais vai deixando para o leitor traços e pistas, que relevam e confundem, conduzindo a narrativa a um desenlace quase sempre surpreendente.


As histórias policiais

  Crime, medo, mistério e suspense.  As histórias policiais envolvem sempre um enigma a ser decifrado.  Um ou mais crimes, muitas vezes casos de assassinato, em torno do qual se desenvolve um investigação policial.
  Nesse gênero de narrativa, sempre há uma vítima, um assassino (cuja indentidade, em geral, não se conhece até o final da história) e um conjunto de personagens, suspeitas ou não, que têm uma participação capaz de multiplicar pistas e suspeitos.  E há, é claro, o detetive, que deve utilizar sua lógica intuitiva e uma observação astuta para, por meio do raciocínio, descobrir quem é o culpado.
  Muitas vezes chamadas também de histórias de detetives, de enigma, de suspense ou de mistério, esse gênero tem suas origens em narrativas antigas, tais como histórias árabes contadas em  "As mil e uma noites" e narrativas chinesas do século XVIII.  Mas o conto  "Os crimes da rua Morgue", que o escritos americano Edgar Allan Poe publicou em 1841, é considerado a primeira história policial tal como a conhecemos hoje.  Nela, o excêntrico e brilhante detetive C. Auguste Dupin resolve um crime com inteligência e elegância.
  Características da época em que as histórias policiais apareceram influenciaram sua estrutura.  Embora a imprensa tinha surgido no século XVIII, foi só no XIX que os jornais se tornaram muito populares pela Europa.  Esses jornais tinham uma seção em que se relatavam assuntos policiais, e a população ficava sabendo de crimes que antes passavam despercebidos.  O próprio Edgar Allan Poe foi editor de jornais em cidades dos Estados Unidos.
  Uma questão muito importante foi o estabelecimento de leis, que passaram a não admitir que se prendesse ou se acusasse um suspeito sem que houvesse provas para isso.  Portanto, pistas e provas passaram a ser fundamentais para a resolução dos crimes.  No século XIX, a polícia também não era como é hoje.  A polícia francesa, por exemplo, até o início daquele século era formada por ex-condenados e, talvez por isso, fossem chamadas pessoas  de fora da corporação para resolver casos e crimes.  A grande maioria dos detetives famosos criados nos séculos XIX e XX não pertenciam à polícia.
  A maneira de pensar de uma época influencia muito os livros que são escritos.  Nos tempos em que Conan Doyle escreveu as aventuras de Sherlock Holmes, muitas pessoas  acreditavam que a melhor maneira de pensar era com base no que se chamou de positivismo: um pensar lógico, fundamentado na dedução que buscava relacionar as causas e suas consequências policiais.


Estrutura da narrativa

  A maioria das histórias policiais tem a mesma estrutura, diferente da de outros gêneros narrativos.  Em fábulas, mitos e em muitas narrativas de aventura, por exemplo, tomamos conhecimento dos acontecimentos da história na ordem em que eles aconteceram.  Há uma situação inicial, uma complicação ou um conflito e a apresentação ou não da resolução final.
  Nas histórias policiais, ou temos um crime logo no início, ou ele já aconteceu quando a narrativa é iniciada.  Aí então é que a investigação começa.  O caso todo é exposto enquanto o detetive vasculha a cena do crime em busca de pistas e provas ou interroga os suspeitos para descobrir o que aconteceu.  E, baseado em seu raciocínio lógico e em sua intuição de perito, o detetive desvenda o crime e aponta o assassino.
  Resolvido o caso, é hora de o investigador, ou o narrador, esclarecer o mistério, explicando como os fatos aconteceram.  Nesse momento, o leitor é obrigado a retroceder no tempo para reconstruir a história: é a chamada "reconstituição do crime".  Dessa maneira, a narração volta no tempo para contar como se deu um acontecimento anterior ao momento em que se narra a história.
  Essa reconstituição deve sempre fazer sentido.  E é esperado que o crime seja resolvido a partir dos elementos e das personagens que já fazem parte da história.  Soluções mágicas ou personagens que não haviam sido cogitadas pelo detetive não são bem-vindas nesse gênero de narrativa.  E mais: uma vez resolvido o mistério, o leitor deve ficar com a impressão de que não haveria outra maneira de solucioná-lo.
  Em geral, os autores costumam dar ao leitor todos os fatos, pistas ou ações das personagens.  E a organização desses elementos, quando apresentada ao final da história, faz com que tudo se encaixe e leve à solução do mistério.


A descrição e o leitor

  Em uma história policial, o mistério é resolvido pelo detetive por meio do raciocínio lógico.  Para isso, ele geralmente relaciona as pistas encontradas e os depoimentos dos suspeitos às hipóteses levantadas.  Portanto, a descrição do cenário, dos suspeitos, da vítima, da arma utilizada e de tudo que rodeia a cena do crime é muito importante para a história.
  O principal objetivo da descrição é expor um objeto, um lugar ou uma personagem aos olhos do leitor.  É quase como se o escritor pintasse um objeto num quadro, só que esse quadro é composto por palavras.
  No cinema, a descrição é feita por meio das imagens; nas histórias em quadrinhos, por meio do desenho.  Imagens e desenhos nos mostram como se comportam as personagens e como é o espaço em que as histórias se passam.  Numa narrativa escrita, a descrição precisa fornecer dados para que o leitor possa imaginar o que ele não pode ver.  Por isso, o vocabulário usado nesse tipo de texto é muito importante.
  Por exemplo, releia a descrição da personagem no conto "Um crime quase perfeito":
"era uma mulher extraordinariamente conservada, corpulenta, forte, enérgica, de cabelos viçosos, e tinha condições de pretender novo casamento.  Dirigia a casa com alegria e pulso firme.  Adepta dos prazeres da mesa, sua despensa estava magnificamente provida de vinhos e comestíveis, e não há dúvida de que, sem aquele 'acidente', teria vivido cem anos".
  Da observação dessas características, tanto o detetive como o leitor podem inferir que a vítima não teria motivos para suicidar-se.  Afinal, alguém alegre, conservado, que gosta de comer bem e que tem em casa provisões para muito tempo não poderia estar pensando em morrer, não é mesmo?
  Algumas vezes, o texto descritivo pode funcionar como um momento de pausa na ação narrativa.  Depois de uma passagem muito ativa e agitada, a descrição de um ambiente, por exemplo, pode servir como um repouso para o leitor.  Além disso, esse tipo de texto também pode ajudar a criar um momento de suspense: a inserção de uma passagem descritiva num momento crítico da história pode aguçar a curiosidade do leitor, fazer com que ele queira saber o que vai acontecer em seguida.  Por meio da descrição, o autor pode ainda fornecer mais informações sobre o assunto, complementando dados anteriores, agora mais detalhados.


Escrever uma história policial.

1. O que contar?
Para começar, pense nos elementos que farão pare da história.  Para isso, tome notas , respondendo às questões abaixo:
- Quem foi assassinado?
- Quem é o assassino?
- Qual é o motivo do crime?
- Onde, quando e como foi cometido o assassinato?
- Quem investiga o crime?
- Quais são as pistas e evidências encontradas?
- Quais são as personagens suspeitas?
- Há outras personagens na história?
Em seguida, escreva o resumo de sua narrativa em um breve parágrafo.  Ele vai servir de base para que você organize suas ideias.

2. Quem será o investigador?
- Tendo escrito seu resumo, pense sobre seu protagonista: o "detetive" da história.  Quais serão suas características físicas? Quais serão suas características psicológicas?

3. Quem será o narrador?
- Depois, é preciso saber quem vai narrar a história.  Um narrador em terceira pessoa, que sabe de tudo que aconteceu? Ou um narrador que também é personagem, um narrador em primeira pessoa? Nesse caso, o narrador será o próprio investigador ou um companheiro dele? Atenção aos verbos que vai  usar ao escrever a narrativa! Eles precisam combinar com a pessoa que vai narrar a história.

4. Em que ordem narrar a história?
- Faça uma lista em seu caderno com a sequência de acontecimentos que você vai narrar em ordem cronológica, ou seja, na ordem em que deveriam ter acontecido.
Em seguida, reorganize os acontecimentos na ordem em que você irá narrá-los.
- O crime já terá acontecido quando a história começa ou ele será cometido ao longo da narrativa?

5. Escrevendo a primeira versão
- Tendo anotado os itens, escreva a história que planejou.  Lembre-se de incluir diálogos, entre as personagens e de usar travessão ou aspas para indicar a fala delas.  Procure usar também trechos que descrevam como são as personagens, os objetos e o lugar em que a história se passa.

6. Lendo a história
- Depois da escrita a narrativa, releia-a.  Ela está compreensível? Tem lógica? Corrija tudo o que achar que não está adequado.
- Mostre a sua história para amigos e recebido impressões deles sobre a sua narrativa, reveja-a.  É preciso reescrever mais alguma coisa? Há detalhes que não ficaram claros? As personagens combinam com suas características?

8. Escrevendo a versão final
- Por fim, passa e limpo a narrativa, atentando ainda para a paragrafação e pontuação.  Se  tiver dúvidas de ortografia, consulte um dicionário.



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